Em Brasília, durante o seminário INEP (Avaliação no ensino superior, 30 e 31/10/2017), descobri que, além do projeto que coordeno, existem mais cinco iniciativas tentando vencer as barreiras deixadas por décadas de “ensino presencial a distância.” Alguns obstáculos, para a oferta de cursos exclusivamente a distância, ainda surpreendem embora sejam fortes as suas ligações com a distorção entre o aprender a distância e o ensinar a distância. Vícios como material didático impresso produzido internamente, laboratório de informática, apostilas eletrônicas terceirizadas, disfarçadas de “material didático-ativo”, bibliotecas físicas, aulas gravadas etc. tornam esse trabalho mais instigante e desafiador, uma vez que precisaremos de mais ousadia e criatividade para conseguir aprovação não só do MEC, mas também dos professores e estudantes. Por sorte, há uma disposição do MEC, em seus novos instrumentos, de privilegiar a qualidade na EaD baseada em aprendizagem ativo-significativa e o uso de tecnologias digitais em larga escala, de modo a aproximar o estudante do seu itinerário formativo. Embora o título da oferta seja de exclusividade, no estágio atual do projeto e em conversa com alguns pseudos concorrentes, a integração com atividades presenciais fará a diferença no PPC do curso ofertado. 

A dupla: PPI e PPC produtos do modelo educacional, nessa nova configuração, exigirá das IES uma revisão apurada dos currículos de curso, tendo em vista os novos valores agregados que serão objetos de avaliação sistemática quando do processo de reconhecimento.

Preocupações que antes eram de terceira prioridade, agora com os novos instrumentos (Decreto 9057/2017, Portarias 11/2017, 1382/2017 e 1383/2017) passam a ser prioridade um e dois na perspectiva do MEC de avaliação da qualidade de ensino personalizado. Nesse contexto, o feedback constante, realidade virtual, laboratórios virtuais de aprendizagem mediada, indicadores de aprendizagem e desempenho, conexões pedagógicas internas e externas, múltiplas interfaces com acesso responsivo e espaços maker de aprendizagem serão elementos básicos para garantir a presença e participação do aluno. Outro ingrediente que dará valor substancial a esse tipo de oferta refere-se à conexão pedagógico-andragógica com atividades presenciais programadas, principalmente se o curso for de áreas de conhecimento que exigem, naturalmente, processos de aprendizagem física, atividades no mundo real em espaços maker de aprendizagem etc.

Na etapa atual em que se encontra o projeto, que coordeno, para atender a essa nova configuração da EaD no país, ha fortes indícios de que não se trata apenas de mais um desafio, mas de um projeto extremamente complexo e que exige e exigirá prudência e muita compreensão dos novos requisitos, bem como da expectativa do MEC e da sociedade brasileira para a nova regulação publicada recentemente.

Prof. Enilton F. Rocha

Gerente de Projetos na WR3 EaD (www.wr3ead.com.br)

Consultor Educacional na Entende Gestão (http://entendegestao.com.br/)

 

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