Embora haja, de certo modo, uma adesão a esse tema em algumas IES que oferecem a EaD, estou impressionado com a cumplicidade e o interesse dos professores que estão comigo na terceira turma (36 professores) do curso sobre a produção de material didático baseada nas teorias, conceitos e técnicas da cura digital.

No início do curso, há uma demonstração clara do vício deixado, por décadas, pela produção baseada em conteúdo com o apelido de design instrucional, técnica surgida na década de 90, quando ainda estávamos perdidos em relação ao processo de autoria para a EaD.

Nesse modelo, a maior parte da participação do professor autor é de submissão ao processo burocrático da linha de produção, restringindo, muitas vezes, a criatividade e a inovação.

Naquele momento da EaD e seus processos, a preocupação, do ponto de vista pedagógico, era de instrução, roteiro e padrões cujo produto final era, em quase sua totalidade, a produção de uma “apostila eletrônica” com uma versão impressa. A burocracia e infraestrutura tecnológica para essa produção eram dispendiosas do ponto de vista de investimentos e exigiam uma equipe multitarefas de especialistas no design instrucional. O nível de interação e interatividade oferecido por essa configuração de material didático era minimamente pensado e ofertado, até mesmo por conta da falta de clareza e de condições de acesso ao mundo digital da época.

Nessa turma, aos poucos, ao se depararem com as teorias, conceitos e métodos para a garimpagem, seleção, contextualização, organização, aprovação e gestão do material didático produzido com a proposta de curadoria digital, tendo como acervo e interface digital alguns bilhões de dados e informações em repositórios não humanos, espalhados pelo mundo digital, percebe-se que há uma mudança significativa, no decorrer do curso,  tanto do ponto de vista da motivação, quanto da interação e compartilhamentos entre esses professores.

Outro aspecto interessante que tem surgido durante nossos diálogos e atividades práticas, refere-se ao modo como os professores estão conseguindo fazer uma relação de interdependência e integração entre a autoria baseada na curadoria digital e a autoria polidocente para a EaD.

Isso sem contar o entusiasmo ao descobrirem o potencial de desenvolvimento de novas habilidades para navegar, de modo crítico-seletivo, na web, inovar e desenvolver novos saberes em nuvens digitais. Em descobrir que tão importante quanto ensinar é ter autonomia para gerar conteúdos de qualidade e oferecer aos estudantes material didático que estejam mais próximos de suas realidades, que os habilitem a sair de ouvintes da aprendizagem para agentes da aprendizagem, agentes da produção de conhecimento a quatro mãos, agentes de novos saberes.

Mas nem tudo são flores nesse processo de qualificação para produzir material didático baseado na curadoria digital. Questões como:

  1. dependência cultural
  2. deficiência localizada na destreza tecnológica
  3. vício do designer instrucional
  4. dificuldades para a produção associada aos contextos e realidades do mundo digital
  5. dificuldades para a associação entre o material e o propósito formativo ativo-fignificativo e
  6. dificuldades de infra tecnológica pessoal e institucional

ainda são fatores que precisam de uma atenção especial nesse processo de formação para essa nova realidade da autoria na EaD.

A compreensão e o trato dessas dificuldades são fundamentais que existam para que a proposta do curso não seja confundida com um aligeiramento formativo, com um “treinamento” em produção de material didático.

Enfim, a cada nova turma mais descobertas do potencial de produzir material didático baseado na cura digital, mais vontade de compartilhar vivências e experiências nesse novo cenário da EaD.

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