Este tema tem sido objeto de reflexões e controvérsias em debates acadêmicos diante da liberação, pela CAPES, da oferta de mestrado e de doutorado a distância. De certo modo é compreensível essas reações de alguns especialistas, se considerarmos os contextos em que se inserem os pré-requisitos de gestão, qualidade, inovação e sustentabilidade para os programas nessa modalidade.

Durante as reuniões semanais da equipe do projeto HUB Mestrado e Doutorado EaD, volta e meia esse componente aparece em meio aos debates sobre a necessidade de profissionais qualificados para o exercício da orientação ou da mentoria nessa nova configuração para a pesquisa stricto sensu.

Observa-se que os elementos centrais dessa preocupação concentram-se em questões como:

O que seria diferencial em currículos e portfólios que possa garantir qualidade no exercício do orientador em ofertas híbridas de mestrado e de doutorado a distância? A experiência na oferta presencial não seria o suficiente?

De que modo a prática docente em ambientes tecnologicamente organizados e a distância pode exigir mais afinidade com as novas práticas da aprendizagem compartilhada, híbrida e cooperativa para a gestão do projeto de pesquisa em diferentes interfaces de mediação, em ambientes histórico-culturais e socioemocionais diferenciados?

Quais seriam os pré-requisitos do processo seletivo para os candidatos ao mestrado e ao doutorado a distância?

Quais seriam os referenciais de excelência que possam garantir inovação, sustentabilidade e reconhecimento aos programas de mestrado e de doutorado, cujas novas regras são determinadas pela portaria 90/2019 da CAPES?

Quais seriam os objetos essenciais formativos para que tanto professores quanto estudantes possam usufruir adequadamente de potenciais sistemas analíticos de dados, de sistemas embarcados e das conformidades gerenciais de projetos de pesquisas mediados tecnologicamente?

Nesse contexto, a formação de professores parece se destacar e se configurar como elemento fundamental para o sucesso de programas nessa categoria. Aceitando essa premissa como base para o planejamento desses programas, quais seriam as bases formativas para certificar esses profissionais?

Do ponto de vista formativo, convém destacar alguns diferenciais e valores potencialmente agregados ao conceito institucional das IES ofertantes que optarem pela formação de professores em seu planejamento estratégico para a oferta desse segmento educacional:

i.           o destaque da influência do professor orientador, bem qualificado, seria medido na qualidade formativa de seus orientandos, na qualidade da conexão entre pesquisa e aplicação no desenvolvimento social e econômico do país (em especial nas ofertas no interior do país e em programas internacionais); na qualidade da dialética e da conexão entre pesquisa pura e as suas contribuições para a sociedade e para o mundo em seus ecossistemas;

ii.           a relação orientador-orientando, em situações diversas fora de ambientes tradicionais de gestão de ensino e de aprendizagem, poderá fortalecer o caráter formativo de ambos e enriquecer os resultados esperados e seus efeitos sobre o objeto pesquisado;

iii.           o ganho real da formação de professores e candidatos ao mestrado e doutorado EaD poderá influenciar no resultado da captação e da retenção dos estudantes nas IES com essa expertise docente.

Enfim, investir em formação de professores, nesse novo segmento educacional, pode representar conceitos 5 a 7, nas escala de 1 a 7 da CAPES, atribuídos não por essa instituição governamental, mas pelas sociedades científicas brasileira e internacional, pela sociedade civil, pelas comunidades docente e discente e pelo segmento empresarial. São valores que extrapolam um conceito parametrizado formal e que serão sentidos, reconhecidos e medidos em valores reais humanitários e científicos para a sociedade brasileira e para o mundo.

Um instigante começo de uma nova era na educação brasileira…

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