Rocha, Enilton. Fev. 2026

Nenhum setor da sociedade contemporânea parece tão atormentado quanto o educacional. Saímos de relações duradouras para um mundo líquido e hiperconectado e, nesse rearranjo social, moral e pedagógico, educar tornou-se sinônimo de adaptação diária, quase um esporte radical em ambientes de fronteiras fluidas, escorregadias…  (como nos lembra Zygmunt Bauman, em Modernidade Líquida, 2001).

A intolerância à leitura crítica, a dependência das conexões virtuais como pseudo indicadores de competência e o uso de atalhos como substitutos do conhecimento real são sintomas que assombram o cotidiano das salas de aula. A impaciência com o professor tradicional completa o cenário.

Nesse ambiente de ansiedade, dispersão e expectativas irreais, estão encurralados o professor, as IES, a sociedade e, claro, os próprios estudantes.

Recentemente, o Insper proibiu o uso de celulares em sala de aula. Seria essa uma estratégia para vencer o monstro da desatenção ou apenas a confirmação de que estamos perdendo a batalha da concentração?

Se olharmos para a história, perceberemos que o mimeógrafo, o retroprojetor, o computador, o celular e agora a IA entraram sorrateiramente na sala de aula… mas seus atores continuam praticamente os mesmos.

A pergunta que não quer calar: será que chegou também a vez da sala de aula líquida?

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